sexta-feira, 30 de março de 2012

Doença de Alzheimer


Prezado cuidador,
A Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) – Sub-Regional Petrolina realiza neste sábado, 31 de março, sua reunião mensal do Grupo de Apoio aos Cuidadores. Esta reunião será especial por se tratar do segundo aniversário da entidade no Vale do São Francisco. Por isso, contará com a participação da coordenadora dos Grupos de Apoio da ABRAz-Pernambuco, Cleonice Albuquerque.

Ela estará à frente do “Papo com Amigos – Falando sobre Doença de Alzheimer”, um bate-papo que visa trocar ideias e esclarecer dúvidas sobre o Alzheimer e sobre a própria atuação da ABRAz.
A reunião acontece a partir das 10h, no CENPRE-HGU (R. Dr. Geraldo Estrela, 100 – Centro. Fone: (87) 3866-4040). Podem participar familiares e/ou cuidadores de pessoas com Alzheimer.
Esperamos ver você lá!!!
Atenciosamente,
Equipe ABRAz-Petrolina

quarta-feira, 28 de março de 2012

2 de Abril - Dia Mundial de Conscientização do AUTISMO



O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo foi instituído pela ONU em dezembro de 2007, que definiu a data de 2 de abril como marco da mobilização mundial para mostrar que há pessoas um pouco diferentes das outras, mas que, na sua essência, são tão humanas quanto todos.
 
Autismo é uma palavra desconhecida para muitos. Dessa forma o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo busca esclarecer o que vem a ser o Autismo e disseminar informações sobre a importância do diagnóstico e da intervenção precoce.


Fonte: http://www.mundoasperger.com.br

A TERRA É AZUL. O AUTISMO TAMBÉM!

  Mobilize sua escola, trabalho, familiares e amigos. VISTAM-SE DE AZUL.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia Internacional da Síndrome de Down


Informação transforma o mundo. Informe-se!!! Conheça a Síndrome de Down.

O que é Síndrome de Down?

Sinônimos: Trissomia do 21
A síndrome de Down é uma doença genética em que uma pessoa tem 47 cromossomos em vez dos 46 normais.

Causas

Na maioria dos casos, a síndrome de Down ocorre quando há uma cópia adicional do cromossomo 21. Essa forma de síndrome de Down é chamada de Trissomia do 21. O cromossomo extra causa problemas na forma com que o corpo e o cérebro se desenvolvem.
A síndrome de Down é a causa mais comum de problemas de nascença em humanos.

Exames

O médico normalmente pode fazer um diagnóstico inicial da síndrome de Down no nascimento com base na aparência do bebê. O médico pode ouvir um sopro cardíaco ao escutar o peito do bebê com o estetoscópio.
Pode ser feito um exame de sangue para verificar a presença do cromossomo extra e confirmar o diagnóstico. Consulte: Análises de cromossomos
Outros exames que podem ser feitos incluem:
  • Ecocardiograma para verificar se há problemas cardíacos (normalmente feito logo após o nascimento)
  • ECG
  • raios X do tórax e do trato gastrointestinal
As pessoas com síndrome de Down devem ser examinadas cuidadosamente em busca de determinadas doenças. Devem ser feitos:
  • Exame oftalmológico todos os anos durante a infância
  • Testes de audição a cada 6 - 12 meses, dependendo da idade
  • Exames dentários a cada 6 meses
  • raios X da coluna superior ou cervical entre as idades de 3 a 5 anos
  • Exame de Papanicolau e exames pélvicos a partir da puberdade ou a partir dos 21 anos
  • Teste de tireoide a cada 12 meses


Sintomas de Síndrome de Down

Os sintomas da síndrome de Down variam de pessoa para pessoa e podem ser de leves a graves. No entanto, as crianças com síndrome de Down têm uma aparência amplamente conhecida.
A cabeça pode ser menor do que o normal e com formato diferente. Por exemplo, a cabeça pode ser redonda com uma área achatada na parte de trás. O canto interno dos olhos pode ficar arredondado em vez de pontudo.
Os sinais físicos comuns incluem:
  • Tônus muscular reduzido no nascimento
  • Excesso de pele na nuca
  • Nariz achatado
  • Articulações separadas entre os ossos do crânio (suturas)
  • Uma única dobra na palma da mão
  • Orelhas pequenas
  • Boca pequena
  • Olhos inclinados para cima
  • Mãos largas e pequenas com dedos curtos
  • Pontos brancos na parte colorida dos olhos (manchas de Brushfield)
O desenvolvimento físico muitas vezes é mais lento do que o normal. A maioria das crianças com síndrome de Down nunca atinge a altura média da idade adulta.
As crianças também podem ter atraso no desenvolvimento mental e social. Problemas comuns podem incluir:
  • Comportamento impulsivo
  • Capacidade de discernimento diminuída
  • Pouca capacidade de atenção
  • Aprendizado lento
Conforme as crianças com síndrome de Down crescem e se tornam conscientes de suas limitações, elas também podem sentir frustração e raiva.
Muitos problemas de saúde diferentes são encontrados em pessoas com a síndrome de Down, como
  • Problemas de nascença no coração, como defeito do septo atrial ou defeito do septo ventricular
  • Ademência pode ser evidente
  • Problemas nos olhos, como cataratas (a maioria das crianças com síndrome de Down precisa usar óculos)
  • Vômitos precoces intensos, que podem ser um sinal de obstrução gastrointestinal, como atresia esofágica e atresia intestinal
  • Problemas de audição, provavelmente causados por infecções de ouvido recorrentes
  • Problemas nos quadris e risco de deslocamento
  • Problemas de constipação a longo prazo (crônica)
  • Apneia do sono(porque a boca, a garganta e as vias respiratórias são mais estreitas nas crianças com síndrome de Down)
  • Dentes que aparecem mais tarde do que o normal e em um local que pode causar problemas na mastigação
  • Tireoide inativa (hipotireoidismo)

Buscando ajuda médica

O médico deve ser consultado para determinar se a criança precisa de educação e treinamento especiais. É importante para a criança fazer checkups regulares com o médico.

Tratamento de Síndrome de Down

Não há um tratamento específico para a síndrome de Down. Uma criança nascida com obstrução gastrointestinal pode precisar de uma cirurgia complexa imediatamente após o nascimento. Determinados problemas cardíacos também podem precisar de cirurgia.
Ao amamentar, o bebê deve estar bem apoiado e completamente acordado. O bebê poderá babar devido a deficiências no controle da língua. No entanto, muitos bebês com síndrome de Down podem ser amamentados com êxito.
A obesidade pode ser um problema para crianças e adultos. É importante realizar muitas atividades e evitar alimentos muito calóricos. Antes de começar a praticar esportes, o pescoço e os quadris da criança devem ser examinados.
O treinamento comportamental pode ajudar as pessoas com síndrome de Down e suas famílias a lidar com a frustração, a raiva e o comportamento compulsivo que ocorrem frequentemente. Os pais e cuidadores devem aprender a ajudar a pessoa com síndrome de Down a lidar com a frustração. Ao mesmo tempo, é importante incentivar a independência.
As mulheres e as adolescentes com síndrome de Down normalmente podem engravidar. Há um maior risco de abuso sexual e outros tipos de abuso tanto em homens quanto em mulheres. É importante para as pessoas com síndrome de Down:
  • Aprender sobre gravidez e tomar as precauções adequadas
  • Aprender a defender-se em situações difíceis
  • Estar em um ambiente seguro
Se a pessoa tiver algum problema cardíaco, pergunte ao médico sobre a necessidade de antibióticos para evitar infecções cardíacas chamadas endocardites.
São oferecidos educação e treinamento especiais na maioria das comunidades para crianças com atrasos no desenvolvimento mental. A fonoaudiologia pode ajudar a melhorar as habilidades de linguagem. A fisioterapia pode ensinar habilidades motoras. A terapia ocupacional pode ajudar com a alimentação e a realização de tarefas. Um profissional especializado na saúde mental pode ajudar os pais e a criança a lidar com problemas de humor ou de comportamento. Na maioria das vezes, são necessários educadores especiais.

Expectativas

As pessoas com síndrome de Down estão vivendo mais do que nunca. Mesmo que muitas crianças tenham limitações físicas e mentais, elas podem ter vidas independentes e produtivas na idade adulta.
Aproximadamente, metade das crianças com síndrome de Down nascem com problemas cardíacos, inclusive defeitos do septo atrial, do septo ventricular e do coxim endocárdico. Problemas cardíacos graves podem levar à morte prematura.
Pessoas com síndrome de Down têm maior risco de desenvolver certos tipos de leucemia, o que também pode causar a morte prematura.
O nível de retardo mental varia de paciente a paciente, mas normalmente é moderado. Adultos com a síndrome de Down têm maior risco de demência.

Complicações possíveis

  • Obstrução das vias respiratórias durante o sono
  • Trauma por compressão da medula espinhal
  • Endocardite
  • Problemas oculares
  • Frequentes infecções auditivas e maior risco de outras infecções
  • Perda da audição
  • Problemas cardíacos
  • Obstrução gastrointestinal
  • Fraqueza dos ossos da parte superior do pescoço

Prevenção

Os especialistas recomendam o aconselhamento genético para pessoas com histórico familiar de síndrome de Down que desejam ter um bebê.
O risco de uma mulher ter um filho com síndrome de Down aumenta com a idade. O risco é significativamente mais alto em mulheres com mais de 35 anos.
Os casais que já têm um bebê com síndrome de Down têm maior risco de ter outro filho com o problema.
Exames como a ultrassonografia da translucência nucal, a amniocentese e amostras de vilosidades coriônicas podem ser feitos no feto durante os primeiros meses de gravidez para verificar se há síndrome de Down. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas recomenda oferecer testes de verificação de síndrome de Down a todas as mulheres grávidas, independentemente da idade.
Fontes e referências:
  • ACOG Committee on Practice Bulletins. ACOG Practice Bulletin No. 77: screening for fetal chromosomal abnormalities. Obstet Gynecol. 2007 Jan;109(1):217-227.
  • AAP Committee on Genetics. Health supervision for children with Down syndrome. Pediatrics. 2001 Feb;107(2):442-449.
  • Davidson MA. Primary care for children and adolescents with Down syndrome. Pediatr Clin North Am. 2008;55:1099-1111.
  • Simpson JL, Otaño L. Prenatal genetic diagnosis. In: Gabbe SG, Niebyl JR, Simpson JL, eds. Obstetrics:Normal and Problem Pregnancies. 5th ed. Philadelphia, Pa: Elsevier Churchill Livingstone; 2007:chap 7.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia 2012


Divulgado o local do próximo Congresso de Fonoaudiologia 2012


A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa), anunciou o local da realização do 20º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia. Segundo a diretoria da SBFa, o maior evento da profissão será realizado em Brasília, Capital Federal e terá como tema - Fonoaudiologia Ciência e Profissão. A Sociedade também definiu a data do congresso - de 31 de outubro a 03 de novembro.
Fonte: Assessoria de Comunicação do CREFONO 4

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

III Mostra de Fonoaudiologia na Atenção Básica do Estado de São Paulo


 
“III Mostra de Fonoaudiologia na Atenção Básica do Estado de São Paulo”
Promoção: CRFa. 2ª Região/SP
Parceria: PUC-CAMPINAS
Data: 30/11/11, das 8h30 às 17h00
Local: PUC-Campinas - Campus II Auditório Monsenhor Salim Av. John Boyd Dunlop s/nº, Jardim Ipausurama, Campinas/SP
Inscrições: gratuitas, via e-mail, mediante o preenchimento de ficha de inscrição a ser enviada para o e-mail cibele@fonosp.org.br
Apoio: SBFa. e Cursos de Fonoaudiologia da FOB/USP, FMUSP, FMRP, UNESP-MARÍLIA, UNICAMP E UNIMEP.

  Para saber mais visite o site da ABA: http://www.audiologiabrasil.org.br

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ABRAZ - Petrolina

Informação da ABRAZ.
Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz) – Sub-Regional Petrolina realiza neste sábado, 26 de novembro, sua reunião mensal do Grupo de Apoio aos Cuidadores.
No encontro, a coordenadora da ABRAz-Petrolina, Denise Cavalcanti, dará dicas sobre como escolher a pessoa que ficará responsável pelos cuidados diários com o doente de Alzheimer.
A reunião acontece a partir das 10h, no CENPRE-HGU (R. Dr. Geraldo Estrela, 100 – Centro. Fone: (87) 3866-4040). Podem participar familiares e/ou cuidadores de pessoas com Alzheimer.
Esperamos ver você lá!!!
Atenciosamente,
Equipe ABRAz-Petrolina

domingo, 20 de novembro de 2011

Jaime Zorzi em entrevista sobre dislexia

Na próxima terça e quarta-feira (22 e 23 de novembro, respectivamente), Recife aguarda a presença do Fonoaudiólogo Jaime Zorzi para discutirmos sobre a atuação fonoaudiológica no contexto educacional. Muito temos a conversar sobre essa importante atuação, principalmente neste momento onde estamos vivenciando a busca por uma educação de qualidade para todos.
Pensar e trabalhar em educação é uma tarefa muito difícil em nosso país... não quero agora entrar em detalhes em relatar o porquê... muito me entristece. Quero neste momento relatar o quanto acredito que fazer muito bem  a nossa parte faz toda a diferença. O amor ao próximo, o compromisso com aquilo que nos propomos a fazer profissionalmente e em parceria, a esperança de termos um mundo melhor, pode refletir positivamente na vida daquela criança que passa em nossa vida. E essa é nossa grande missão de educador!

Segue uma entrevista que encontrei, com o querido Professor Jaime Zorzi... Só para aguçar nosso fazer de fonoaudiólogo na educação. 

Nos encontraremos lá!

Flávia Tamarindo



DISLEXIA: DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO SOB O OLHAR DA PSICOPEDAGOGIA, FONOAUDIOLOGIA E NEUROLOGIA
Jaime Luiz Zorzi


Qual a importância do diagnóstico e intervenção na dislexia para o processo educativo?
Muitas são as razões que podem acarretar limitações no processo de aprendizagem e, até mesmo, o completo fracasso escolar com todas as suas conseqüências danosas em termos sociais, afetivos e cognitivos. A dislexia pode ser uma dessas causas. Como qualquer fator que possa interferir no bom andamento da escolarização, o diagnóstico da dislexia é de fundamental importância. Embora não tenhamos uma noção exata da prevalência de tal tipo de problema no Brasil, existem estimativas, em outros países,  de que cerca de 5% da população escolar possa ter um problema desta natureza, prejudicando o aprendizado e o domínio de uma poderosa forma de alcançar e produzir conhecimentos, que é a linguagem escrita. Segundo os dados do INEP, já em 2007, tínhamos  um universo de  cerca de 39 milhões de crianças cursando a Educação Infantil e o Ensino Fundamental. Isso significa uma possibilidade de encontrarmos, ficando limitados a essa população, cerca de 760.000 jovens escolares com distúrbios específicos de leitura, ou seja, com dislexia. Portanto, fica mais do que evidente a necessidade de se compreender de modo mais adequado o que é esse distúrbio, como ele se manifesta, diferenciá-lo de outros problemas que também limitam o aprender e, acima de tudo, criar condições para o desenvolvimento de programas de intervenção, principalmente dentro do próprio espaço escolar. Dislexia é mais do que um problema de saúde, é uma questão educacional e social, que requer a busca integrada de soluções.
Qual o termo correto para definirmos a dislexia: transtorno, desordem ou distúrbio?
No inglês, a dislexia tem sido freqüentemente definida como “disorder” e, desta maneira, pode ser encontrada, por exemplo, no Dictionary of Speech-Language Pathology (Singh & Kent, Singular, 2000), que descreve “dyslexia is a disorder…” De acordo com o Dicionário Médico de Stdeman (Guanabara Koogan, 1996), o termo “disorder”, que vem do inglês, significa “distúrbio”, ou seja, “a alteração de uma função ou estrutura, resultante de uma falha genética ou embriológica no desenvolvimento ou de fatores exógenos, tais como um tóxico, traumatismo ou doença”. O Dicionário Médico Ilustrado de Dorland (Manole, 1999), segue a mesma linha descrevendo que esse termo corresponde a um “distúrbio”, mais especificamente, “um transtorno ou anomalidade de função; um estado mórbido físico ou mental”.  Este conceito, de acordo com o mesmo dicionário, estende-se, por exemplo, à ansiedade, à atenção, ao autismo, ao comportamento bipolar e muitos outros problemas desta ordem. Provavelmente, o termo “desordem” seja originário de uma tradução incorreta da palavra “disorder”, do inglês, a qual, segundo os dicionários de natureza médica, deve ser traduzida para o português como “distúrbio”. Portanto, devemos descartar o uso de “desordem”. Por outro lado, o DSM-IV (Manual Estatístico de Transtornos Mentais, Artes Médicas, 1994), denomina estes problemas como “transtornos”. No caso da dislexia, ela é considerada como um “transtorno de leitura”. Por sua vez, o CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, Versão 1.6c - ©1993 by CBCD e DATASUS), lança mão da mesma denominação, colocando a dislexia na categoria dos “Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares”. Levando em consideração as definições e usos mais comumente encontrados, o emprego do termo “distúrbio”, assim como “transtorno” parece apropriado e compatível, o que não ocorre com o uso de “desordem”.
O transtorno da leitura e escrita aparece somente quando a criança inicia a vida escolar ou podemos percebê-la antes dessa fase?
Se tomarmos as definições com o devido rigor, a dislexia significa um distúrbio no aprendizado da leitura. Portanto, devemos esperar sua manifestação a partir do momento em que um processo formal e contínuo de ensino da língua escrita tenha início. Ou seja, podemos tomar como ponto de partida a alfabetização ou, mais especificamente, os problemas que ocorrerão deste momento em diante. Por sua vez, aprender a ler e a escrever são habilidades de natureza lingüística que envolve conhecimentos que a criança vai desenvolvendo desde muito cedo. Antes de aprender a escrever as crianças, de modo geral, já apresentam um domínio significativo da linguagem falada. Neste sentido, devemos sempre nos preocupar com aquelas crianças que, desde muito cedo, vêm apresentando alguma alteração na aquisição da linguagem falada, como é o caso dos atrasos de desenvolvimento da linguagem, as limitações de vocabulário, as dificuldades de compreensão, de manutenção de diálogos, de organização do discurso, de fala, e assim por diante. Outros indicadores podem ser as limitações para lidar com rimas, com sílabas, com a discriminação de sons, habilidades estas de alta demanda para o ato futuro de leitura e escrita. Podemos considerar tais crianças na categoria de risco, isto é, elas podem vir a apresentar problemas diversos para aprender a ler e a escrever, dentre eles a dislexia. O mesmo ocorre com aquelas crianças cujos familiares já apresentam histórico de problemas de aprendizagem. Por outro lado, muitos sujeitos disléxicos apresentam um histórico de desenvolvimento sem problemas desta ordem, sendo que eles passam a surgir no momento da alfabetização formal. De qualquer modo, sempre devemos procurar fazer intervenções nas crianças com problemas de aquisição da linguagem oral, antes de ter início um processo de alfabetização. Tal procedimento não somente poderá ajudá-las a aumentar suas competências em linguagem oral, como também poderá facilitar o aprendizado da linguagem escrita.
Qual a diferença entre a dislexia de desenvolvimento e a dislexia adquirida?
A dislexia de desenvolvimento é um distúrbio de natureza congênita, o que significa que a criança já nasce com certas características de organização e funcionamento neurológico que poderão vir a complicar determinados tipos de aprendizagens, como a leitura e a escrita, caso ela tenha a oportunidade de vir a ser alfabetizada. Por sua vez, a dislexia adquirida corresponde à perda, em graus variados, da capacidade de ler e escrever em pessoas que já haviam desenvolvido tal habilidade e que poderiam ser até mesmo altamente capazes para tanto. Em geral, a dislexia adquirida é um quadro decorrente de fatores que agridem o cérebro, como é o caso de tumores, acidente vascular encefálico e traumatismos, principalmente em regiões responsáveis por tais funções. Contrariamente ao disléxico de desenvolvimento, a pessoa com dislexia adquirida pode ter aprendido a ler e a escrever sem qualquer dificuldade.
Nos casos de dislexia, o foco de atuação de cada profissional de diferentes áreas como medicina, psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia, etc...gera múltiplas classificações e intervenções. Em sua opinião esses profissionais não teriam mais sucesso se trabalhassem como uma equipe?Definir conceitos, delimitar seus usos e aplicações, criar critérios comuns e bem fundamentados de avaliação e diagnóstico, são aspectos fundamentais para que compreendamos de modo mais apropriado o universo complexo dos problemas de aprendizagem, dentre eles a dislexia. Muitas vezes, dentro de um mesmo campo profissional, encontramos formas variadas de pensar e conceituar a dislexia. Esta falta de critérios acaba prejudicando a comunicação interprofissional, provocando situações polêmicas e controvertidas. E, o que é pior, contribui para a formação de idéias distorcidas, principalmente por parte da comunidade leiga. 
Cada vez mais se mostra necessária uma atuação multiprofissional, com equipes trabalhando com pressupostos comuns e bem fundamentados cientificamente. Podemos dizer que a equipe deve estar “afinada”, em sintonia, como numa orquestra, na qual cada um desempenha, de forma integrada, seu papel. Quando falamos em equipe, sempre pensamos na proximidade física de seus componentes. Porém, nem sempre é possível reunir, em um mesmo local, um conjunto integrado de profissionais. Entretanto, isso não impede que profissionais, embora atuando em espaços distintos, tenham essa possibilidade de integração e, principalmente, de troca e de oportunidades sistemáticas de estudos e discussão dos casos avaliados.
Atualmente, as escolas e os educadores estão preparados para lidar com o sujeito disléxico? Nota-se uma atitude mais colaborativa que no passado?
Infelizmente, as escolas e os educadores, com algumas exceções,  ainda não estão preparados para lidar com alunos disléxicos ou com outros problemas de aprendizagem. Temos visto, muitas vezes, falta de preparo para lidar até mesmo com crianças que não apresentam problemas ou limitações para o aprender. Ensinar, e ensinar bem, têm se mostrado uma tarefa bastante difícil e desafiadora. Basta ver os índices de desempenho nas provas oficiais de avaliação que têm sido atualmente aplicadas. Crianças que não aprendem são desafiadoras, de modo geral. Porém, dentro desse quadro bastante preocupante, temos visto um grande número de educadores dispostos a trabalhar por mudanças nesta situação. Para tanto, estão buscando formação e informação. Começa a existir uma atitude de ver os problemas de aprendizagem como problemas escolares, que devem ser pensados em termos de procedimentos educacionais, e não somente como problemas clínicos, extra-escolares. Ainda se observa, com muita freqüência, atitudes e crenças no sentido de que a criança que não aprende não é um problema escolar. Para aqueles que assim pensam, cabe à escola encaminhar tais crianças para diagnóstico e tratamento externos. Dentro de tal perspectiva, o papel da escola seria o de esperar que as crianças, a partir destas intervenções clínicas, ganhassem competências para acompanhar o programa escolar frente ao qual ficaram defasadas. É uma atitude de espera e cobrança (do outro). Não é este o papel que atribuo às escolas. Reafirmo que a dislexia também é um problema escolar, por natureza. Bem-vindos todos aqueles que acreditam que muito podem fazer para ajudar seus alunos que, embora possam ter alguma limitação ou dificuldade, não perderam suas capacidades para aprender. Basta querer e acreditar...
Por vezes, crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem são vistas como indolentes, desatentas, mal comportadas, etc...tanto pela escola como pela família. Como mudar esse quadro?Alterações de comportamento com manifestações diversas, e até mesmo opostas, como a apatia, a desatenção, a ansiedade, a indolência, a depressão e a agressividade, podem ter como causa principal um desequilíbrio provocado por problemas de aprendizagem. Neste sentido, a dislexia é uma grande mestra. As crianças, de modo geral, sofrem cobranças externas, intensas e sistemáticas, por parte da família e da escola. Outras sofrem até muito mais pelo tanto de exigências que elas têm em relação a si mesmas. Não corresponder às próprias expectativas e às expectativas colocadas pelos outros pode gerar uma série de conflitos internos, que se manifestam através de comportamentos inadequados. Tais comportamentos, por sua vez, podem até mesmo agravar os problemas de aprendizagem da criança. Frente a situações como estas, os adultos, por não compreenderem tais manifestações, tendem naturalmente a reagir aumentando as queixas e as cobranças. Forma-se um círculo vicioso, cujo resultado é um agravamento, mesmo quando a intenção é a de “ajudar” a criança. Tal quadro, mais freqüente do que podemos supor, só pode ser mudado na medida em que família e escola compreendam que tais comportamentos podem ser decorrentes de um problema de base, que é a aprendizagem. De nada adiantará tentar combater os sintomas, sem que se compreendam quais são as causas. Crianças com problemas de aprendizagem precisam de ajuda, antes de qualquer cobrança. Para nós, adultos, parece muito natural ficarmos cobrando desempenho. Não paramos para nos questionar se estamos, em primeiro lugar, oferecendo conhecimentos, para depois cobrá-los. Via de regra, cobramos sem dar, sem ensinar. 
Simplesmente cobramos, como se a criança devesse ser, por conta própria, capaz de responder a tudo o que desejamos que ela aprenda. Podemos sim, mudar tal situação. Precisamos, para tanto, compreender  as angústias que os problemas de aprendizagem podem provocar. Precisamos aprender como ajudar tais crianças no sentido de que possam se sentir capazes de aprender e que, suas dificuldades, erros e enganos, não são os mais importantes. O fundamental é que elas se sintam capazes de aprender e que  sintam o quanto apreciamos cada avanço que conseguem dar. Agindo desta forma, conseguiremos fazer com que a criança possa se sentir aceita, valorizada e segura.

Qual o papel da família quando falamos em dificuldades de aprendizagem?O papel da família é de fundamental importância em todo o processo de desenvolvimento da criança. Porém, sua ação pode ter resultados variáveis. Um fato bastante presente nas famílias é o grau de ansiedade e preocupação que elas têm em relação ao aprendizado de seus filhos, principalmente quanto ao desempenho acadêmico. Falta de expectativa, ou excesso, pode ser prejudicial. Neste sentido, até mesmo crianças sem problemas escolares podem sentir o peso de cobranças mais intensas, acima daquilo que elas podem dar. De modo geral, essa ansiedade tende a aumentar quando a criança apresenta dificuldades de aprendizagem. A primeira idéia que ocorre é que a criança possa ser “preguiçosa”, “irresponsável”, etc. Muitas vezes essa situação é agravada pela própria postura da escola que começa a se “queixar” que a criança não está acompanhando o programa. Este não é um bom caminho para lidar com as dificuldades de aprendizagem. Daí a importância de um processo diagnóstico, que busque identificar o que, de fato, está ocorrendo com a criança que não aprende. Os pais devem ser orientados porque também podem ajudar, em muito, se de fato compreenderem as limitações e capacidades que seus filhos têm e o que pode e deve ser feito para que o aprendizado ocorra da melhor forma possível. Em nosso trabalho temos que pensar na criança, na escola e na família. Não conseguimos chegar muito longe sem considerar todos esses aspectos.

No Brasil, é uma realidade o trabalho do fonoaudiólogo dentro das escolas?O trabalho do fonoaudiólogo dentro da escola tem se tornado uma realidade no Brasil. Não há dúvidas de que habilidades em linguagem falada e escrita são essenciais para o aprendizado escolar. Compreender o desenvolvimento normal da linguagem, suas possíveis alterações, traçar o perfil evolutivo típico dos vários tipos de problemas, desenvolver metodologias de aplicação pedagógica para facilitar o aprendizado, está dentro do rol de possibilidades do fonoaudiólogo nesta atuação. Na realidade, sempre houve um trabalho do fonoaudiólogo junto às escolas, porém predominantemente com enfoque para o atendimento clínico a partir de encaminhamentos realizados por elas. Atualmente, ao lado desta ação mais tradicional, têm aumentado o número de fonoaudiólogos preparados para a atuação dentro das escolas, com uma visão educacional. Nossa expectativa é a de que este campo se consolide cada vez mais, pelos próprios resultados que estão sendo colhidos pelas escolas que investiram nesta integração. 

Que mensagem deixa aos congressistas, participantes e a todos os psicopedagogos e fonoaudiólogos? Em primeiro lugar, reafirmar que os problemas de aprendizagem não se limitam à dislexia. Temos os distúrbios de aprendizagem e também os transtornos mais globais do desenvolvimento. Porém, a maior parte das crianças com baixo aprendizado, ou desempenho escolar deficitário, não apresenta, na realidade, verdadeiras limitações neste sentido. Estamos com dificuldades para ensinar, e ensinar bem. Esta nossa limitação tem gerado o que podemos chamar de pseudodistúrbios de aprendizagem. Isto quer dizer que, muitas vezes, o problema não está nos pequenos, que aprendem, mas sim, na gente grande, que ensina. Temos que ter cuidados para diferenciar adequadamente cada situação. 

Para finalizar, vejo com muito bons olhos esse movimento de aproximação e de partilhamento cada vez mais intenso entre fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos, médicos e educadores. Os problemas que atualmente encontramos no campo da educação requerem a comunicação e troca interprofissional intensas, além de uma formação sólida e continuada. Temos que formar um time, um grande time, muito bem preparado. A torcida, ou seja, nossas crianças, agradecem.




Jaime Luiz Zorzi - Fonoaudiólogo e diretor do Cefac Centro de Pós-Graduação em Saúde e Educação. Possui graduação em fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1976), mestrado em distúrbios da comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1988) e doutorado em educação pela Universidade Estadual de Campinas (1997). Atua como organizador e professor de cursos de especialização nas áreas de fonoaudiologia e educação, em programas de capacitação de professores e em assessoria educacional.


Fonte: http://www.psicopedagogia.com.br