quarta-feira, 14 de julho de 2010

Aprovadas duas novas especialidades para Fonoaudiólogos

O Conselho Federal de Fonoaudiologia  (CFFa) aprovou no primeiro deste ano duas novas especialidades para os Fonoaudiólogos: Disfagia e a Fonoaudiologia Educacional/Escolar. Para ser reconhecido como especialista pelo CFFa, o fonoaudiólogo terá que se submeter a uma prova específica. A previsão de realização dessas provas, assim como todas as outras especializações anteriormente reconhececidas pelo Conselho, têm previsão de realização anuais.

As duas novas especialdades vieram após sugestões de Conselhos Regionais, associações, entidades profissionais de fonoaudiólogos e cunsulta pública realizada entre outubro e novembro de 2009. Antes desse reconhecimento, as atividades do especilaista em Disfagia eram de competência dos especializados em Motricidade Orofacial, e as de Fonoaudiologia Educacional/Escolar, dos especializados em Linguagem.
A Disfagia foi regulamentada pela Resolução CFFa nº 383, de 20/03/2010. Antes disso, a Resolução nº 356, de 6/12/2008, reconhecia a competência legal do fonoaudiólogo para atuar nas Disfagias Orofaríngeas.

A Fonoaudiologia Educacional/Escolar ainda aguarda normatização. Duas resoluções anteriores à sua criação foram a 309/05, sobre a atuação do Fonoaudiólogo nos ensinos infatil, fundamental, médio, especial e superior, e a nº 320/06, sobre as especialidades reconhecidas pelo CFFa.


Disfagia

A dificuldade de engolir é um sintoma comum de diversas doenças e pode ser causada por alterações neurológicas, como o acidente vascular cerebral (AVC), ou doenças neurológicas ou neuromusculares e também alterações locais-obstrutivas.
O tratamento fonoaudiológico para a doença é essencial, pois evita complicações respiratórias, nutricionais, internações prolongadas e diminui a exposição de pacientes a infecções hospitalares.

Fonoaudiologia Educacional/Escolar
A atuação do fonoaudiólogo que trabalha em escolas é diferente da do profissional que atua em clínicas e hospitais, Na escola, o Fonoaudiólogo atua de forma preventiva e educacional, enquanto em clínicas e em hospitais sua atuação é terapêutica e preventiva. O Fonoaudiólogo não atua apenas com alunos. O profissional também trabalha com os professores no aprimoramento da oratória. "O foco principal é a educação. O fonoaudiólogo vai atuar orientando professores a melhorar suas condições de aula e auxiliando os alunos a entender e se expressar melhor", afirma o fonoaudiólogo e conselheiro do CFFa Jaime Luiz Zorzi.
Zorzi ainda afirma que sempre houve necessidade de fonoaudiólogos nas escolas e que a atuação dele necessariamente deve ser em grupo. " Ajudar alunos com deficiências, como deficientes auditivos, sempre foi competência do fonoaudiólogo. Devemos trabalhar sempre em grupo, fazendo uma conexão aluno-professor-fonoaudiólogo". 



Sabendo mais!!

FONOAUDIÓLOGOS EDUCACIONAIS/ESCOLARES


Com alunos

1- Otimizar o desenvolvimento da linguagem oral, leitura e escrita;
2- Promover estrtégias de prevenção, preservação e controle de abusos e riscos para avoz e a audição;
3- Estimular a eliminação de hábitos inadequados relacionados às alterações fonoaudiológicas;
4- Detectar precocemente alterações fonoaudiológicas relacionadas à audição, motricidade orofacial, voz e linguagem oral e escrita;
5- Encaminhar para profissionais, quando necessário, e acompanhar os tratamentos externos à escola.

Com professores

1- Orientar quanto aos cuidados com a voz;
Ensinar estratégias vocais para conservçã e maximização da voz, durante o uso profissional.
3- Promover informações quanto às alterações fonoaudiológicas, como desenvolvimento ormal da linguagem oral, leitura e escrita, e como estes podem ser otimizados na sala de aula;
4- Capacitar o profissional para detecção de possíveis alterações fonoaudiológicas que seus alunos venham a apresentar;
5- Encaminhar o professor que tenha alterações vocais para atendimento fonoaudiológico.

Com pais

1- Orientar sobre o desenvolvimento normal da criança e as alterações fonoaudiológicas comuns na infância;
2- Orientar sobre a importância do estímulo familiar para otimizar o desenvolvimento da criança;
3- Detextar o possível problema do filho e apresentar explicações quanto a encaminhamentos necessários.

Fonte: Revista do Conselho Federal de Fonoaudiologia. Comunicar. Ano XI, nº 45, Abril-Junho de 2010.

sábado, 26 de junho de 2010

Projeto de Doutorado é Premiado pela ABORL CCF

A Fonoaudióloga Elaine Lara Mendes Tavares, aluna de doutorado de curso de Pós-Graduação da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMB UNESP) foi contemplada pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL CCF) com financiamento/premiação para seu projeto de doutorado denominado "Avaliação dos distúrbios da voz em crianças de 4 a 12 anos de idade". O projeto é de caráter epidemiológico e composto por três fases: levantamento de dados junto às escolas da cidade, análise perceptivo-auditiva e análise vocal computadorizada e avaliação otorrrinolaringológica e videolaringoscopia. O projeto é orientado pela Dr.a Regina Helena Garcia Martins, docente do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da FMB UNESP.

Fonte: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia


* Parabéns Elaine Tavares, Bom trabalho !!! Aguardamos a conclusão da sua pesquisa de grande relevância para todos nós.

Grande abraço,

Flávia Tamarindo

sexta-feira, 25 de junho de 2010

PRÊMIO VIVALEITURA


Você tem algum projeto que promova A leitura na escola, biblioteca da cidade, bairro, comunidade?
Inscreva-se e participe do Prêmio Vivaleitura!

Esse prêmio é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC), do Ministério da Cultura (MinC) e da Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), o prêmio tem realização e o patrocínio da Fundação Santillana, com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). O Prêmio Vivaleitura faz parte do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Serão premiados trabalhos nas categorias “Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias”, “Escolas Públicas e Privadas” e “ONGs, pessoas físicas, universidades/faculdades e instituições sociais", que desenvolvam trabalhos na área de leitura. A comissão julgadora vai levar em conta a originalidade do trabalho, o impacto na construção da cidadania, os recursos utilizados, a pertinência e a abrangência da ação na comunidade, a duração e os resultados alcançados, entre outros critérios. Em cada categoria, os vencedores receberão um prêmio de R$ 30 mil.

 

Na categoria Sociedade, haverá a distinção da Menção Honrosa a ser atribuída a projetos de empresas com foco no tema “formação de mediadores de leitura”. A distinção abrange programas e projetos de apoio, promoção e patrocínio, na área de leitura, desenvolvidas por empresas, públicas ou privadas.
O projeto que se destacar por sua abrangência, permanência confirmada e alta relevância será considerado merecedor da Menção Honrosa.

QUEM INCENTIVA A LEITURA NO BRASIL

TEM QUE PARTICIPAR


As inscrições são gratuitas e terminam no dia 05 de julho. Acesse o site aqui: http://www.premiovivaleitura.org.br/


CURSO INSTRUCIONAL CONGRESSO 2010 - RESULTADO


Olá pessoal!

Centenas de Fonoaudiólogos associados votaram, e os cursos instrucionais mais votados para o 18º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia foram os seguintes:

- A Atuação Fonoaudiológica em Grupos de Familiares/ Cuidadores nas Afasias e Demências.

- A Fonoaudiologia Forense: Conceitos, Práticas e Mercado de Trabalho.

- Atuação Fonoaudiológica em Neonatologia: Capacitação para Avaliação da Prontidão do Prematuro Iniciar a Alimentação no Seio Materno.

- Estimulação da Elaboração Escrita: Inspiração ou Transpiração?

- Potenciais Evocados Auditivos de Estado Estável de 80-Hz: Fundamentação Teórica e Aplicações Clínicas na Audiologia Pediátrica.

- Prática Clínica: Disfagia e Ausculta Cervical.

- Técnicas de Terapia em Reabilitação Fonoaudiológica Miofuncional Orofacial.

- Voz Cantada: A Importância da Percepção Auditiva no Trabalho com o Cantor.


O curso que eu votei não entrou :( ... mas valeu... Muitos temas importantes, interessantes e apenas uma escolha a fazer. Difícil!
Os diversos temas acima, fora os que não foram enquadrados demonstram a abrangência da nossa profissão e o quanto precisamos estar atualizados para uma atuação de excelência.
A gente se encontra lá, se Deus quiser.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Workshop 18º Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia



Workshop dos Expositores - A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia divulga os parceiros da feira de exposição, os quais têm grande experiência científica nas suas áreas de atuação. No Congressso Brasileiro de Fonoaudiologia deste ano, a programação preparada pela SBFa em parceria com os expositores é diversificada e de grande importância para a nossa educação continuada.
Até lá!!

Segue a programação:

STARKEY

Tema: Avanços tecnológicos em benefício dos usuários de próteses auditivas
Nome do Palestrante: Camila Quintino

TELEX

Tema: Soluções auditivas e novas tecnologias
Palestrante: Cileide Olbrich

SIEMENS

Tema: As mais avançadas tecnologias a favor do paciente: perda auditiva e zumbido
Palestrante: Mirella Boaglio Horiuti

AUDIBEL

Tema: Próteses auditivas: recursos tecnológicos e qualidade de vida
Palestrante: Sandra Braga

Tema: Equipamentos audiológicos: qual a melhor opção?
Palestrante: Raquel Pacheco

WIDEX

Tema: As novas tecnologias para o relaxamento, concentração, compressão e comunicação entre prótese auditiva e usuár
Palestrantes: Fernando Caggiano Júnior e Cristiane Berlowitz

Tema: O avanço do implante coclear
Palestrante: Fernando Caggiano Júnior

Tema: Os novos equipamentos de avaliação: miniaturização e efetividade Palestrante: Fernando Caggiano Júnior

OTOSSONIC

Tema: Correlação entre o registro de dados do aparelho e o perfil do usuário
Palestrante: Elisabetta Radini

Tema: Possíveis soluções para o problema de distorção da prótese auditiva
Palestrante: Elisabetta Radini

PHONAK

Tema: Phonak Experience: os benefícios da conectividade sem fio.
Palestrante: Lia Hoshii

Tema: A evolução dos equipamentos audiológicos - BERA, EOA, ASSR
Palestrante: Raquel Lauture

ARGOSY

Tema: O avanço tecnológico na confecção dos aparelhos intra-aurais e moldes auriculares
Palestrante: Cintia Basso

Tema: Sistemas de FM: candidatos ao uso e tecnologia atual
Palestrante: Michelle Queiroz

DANAVOX

Tema: Direcionalidade assimétrica - uma abordagem mais natural
Palestrante: Karina Araújo de Souza

MICROSOM

Tema: Uso do aparelho SpeechEasy como tratamento da gagueira.
Palestrante: Mônica Medeiros de Britto Pereira

Tema: Como melhorar a discriminação de fala em pacientes usuários de próteses auditivas
Palestrante: Maria do Carmo Alves Branco

CTS

Tema: Avaliação acústica na clínica vocal: vantagens e estratégias para raciocínio clínico
Palestrante: Gisele Oliveira

Tema: Vocalgrama: compreendendo a análise do campo vocal na fala e no canto.
Palestrante: Miriam Moraes

THOT

Tema: O uso de jogos no exercício profissional
Palestrante: Maria Thereza Mazorra dos Santos

Esta é a programação até o presente momento para Workshop dos Expositores
Maiores informações acesse: http://www.sbfa.org.br/fono2010/

domingo, 13 de junho de 2010

"Família tem de ser careta" - Lya Luft

Bom dia a todos...

Abro espaço neste Blog para disponibilizar um texto da escritora Lya Luft que trata do real papel da família - o papel de pai e mãe que a nossa sociedade tanto precisa. Casos alarmantes atingem nosso país e na maioria das vezes sinto-me "abalada" ...  A solução pode estar numa educação familiar regada de cuidados, sem que se perca a alegria e a satisfação de (re)construí-la a cada geração para realização do sonho, do objetivo - de um mundo melhor. Nada está perdido...
Que todos nós possamos refletir, compartilhar e tirar nossas próprias conclusões dos saberes dessa querida escritora, sobre esse texto.

Segue o texto:

Família tem de ser careta
Autora: Lya Luft


Esperando uma reação de espanto ou contrariedade ao título acima, tento explicar: acho, sim, que família deve ser careta, e que isso há de ser um bem incomparável neste mundo tantas vezes fascinante e tantas vezes cruel. Dizendo isso não falo em rigidez, que os deuses nos livrem dela. Nem em pais sacrificiais, que nos encherão de culpa e impedirão que a gente cresça e floresça. Não penso em frieza e omissão, que nos farão órfãos desde sempre, nem em controle doentio – que o destino não nos reserve esse mal dos males. Nem de longe aceito moralismo e preconceito, mesmo (ou sobretudo) disfarçado de religião, qualquer que seja ela, pois isso seria a diversão maior do demônio.

Falo em carinho, não castração. Penso em cuidados, não suspeita. Imagino presença e escuta, camaradagem e delicadeza, sobretudo senso de proteção. Não revirar gavetas, esvaziar bolsos, ler e-mails, escutar no telefone, indignidades legítimas em casos extremos, de drogas ou outras desgraças, mas que em situação normal combinam com velhos internatos, não com família amorosa. Falo em respeito com a criança ou o adolescente, porque são pessoas, em entendimento entre pai e mãe – também depois de uma separação, pois naturalmente pessoas dignas preservam a elegância e não querem se vingar ou continuar controlando o outro através dos filhos.

Interesse não é fiscalizar ou intrometer-se, bater ou insultar, mas acompanhar, observar, dialogar, saber. Vejo crianças de 10, 11 anos frequentando festas noturnas com a aquiescência de pais irresponsáveis, ou porque os pais nem ao menos sabem onde elas andam. Vejo adolescentes e pré-adolescentes embriagados fazendo rachas alta noite ou cambaleando pela calçada ao amanhecer, jogando garrafas em carros que passam, insultando transeuntes – onde estão os pais?
Como não saber que sites da internet as crianças e os jovenzinhos frequentam, com quem saem, onde passam o fim de semana e com quem? Como não saber o que se passa com eles? Sei de meninas, quase crianças, parindo sozinhas no banheiro, e ninguém em casa sabia que estavam grávidas, nem mãe nem pai. Elas simplesmente não existiam, a não ser como eventual motivo de irritação.

Não entendo a maior parte das coisas solitárias e tristes que vicejam onde deveria haver acolhimento, alguma segurança e paz, na família. Talvez tenhamos perdido o bom senso. Não escutamos a voz arcaica que nos faria atender as crias indefesas – e não me digam que crianças de 11 anos ou adolescentes de 15 (a não ser os monstros morais de que falei na crônica anterior) dispensam pai e mãe. Também não me digam que não têm tempo para a família porque trabalham demais para sustentá-la.

Andamos aflitos e confusos por teorias insensatas, trabalhando além do necessário, mas dizendo que é para dar melhor nível de vida aos meninos. Com essa desculpa não os preparamos para este mundo difícil. Se acham que filho é tormento e chateação, mais uma carga do que uma felicidade, não deviam ter tido família. Pois quem tem filho é, sim, gravemente responsável. Paternidade é função para a qual não há férias, 13º, aposentadoria. Não é cargo para um fiscal tirano nem para um amiguinho a mais: é para ser pai, é para ser mãe.

É preciso ser amorosamente atento, amorosamente envolvido, amorosamente interessado. Difícil, muito difícil, pois os tempos trabalham contra isso. Mas quem não estiver disposto, quem não conseguir dizer "não" na hora certa e procurar se informar para saber quando é a hora certa, quem se fizer de vítima dos filhos, quem se sentir sacrificado, aturdido, incomodado, que por favor não finja que é mãe ou pai. Descarte esse papel de uma vez, encare a educação como função da escola, diga que hoje é todo mundo desse jeito, que não existe mais amor nem autoridade... e deixe os filhos entregues à própria sorte.

Pois, se você se sentir assim, já não terá mais família nem filhos nem aconchego num lugar para onde você e eles gostem de voltar, onde gostem de estar. Você vive uma ilusão de família. Fundou um círculo infernal onde se alimentam rancores e reina o desamparo, onde todos se evitam, não se compreendem, muito menos se respeitam.

Por tudo isso e muito mais, à família moderninha, com filhos nas mãos de uma gatinha vagamente idiotizada e um gatão irresponsável, eu prefiro a família dita careta: em que existe alguma ordem, responsabilidade, autoridade, mas também carinho e compreensão, bom humor, sentimento de pertença, nunca sujeição.É bom começar a tentar, ou parar de brincar de casinha: a vida é dura e os meninos não pediram para nascer.

"Quem não estiver disposto a dizer 'não'
na hora certa e se fizer de vítima dos filhos,
que por favor não finja que é mãe ou pai" - (Lya Luft)


sexta-feira, 11 de junho de 2010

Orientações no Relacionamento com Pessoas Cegas

As pessoas que estabelecem contato com portadores de deficiência visual, seja de forma ocasional ou regular, revelam-se de um modo geral inseguras sobre como agir diante das diferentes situações que possam ocorrer.

É importante, antes de tudo considerar que a convivência em qualquer nível ou dimensão, constitui tarefa complexa. Implica em negociações, concessões, acordos e ajustes. Não por outro motivo, todas as sociedades humanas, em qualquer tempo histórico, trataram de elaborar e implementar códigos de etiqueta, encarregados de dirigir harmoniosamente as relações, amenizando o confronto das diferenças, desafio constante na invenção do cotidiano.

Nos casos onde a diferenciação social se dá através de marcas inscritas no corpo, tais estigmas podem tornar-se emblemáticas, enviesando todo processo de interação. Em tais circunstâncias, desinformação, falta de esclarecimentos, estereótipos e as fantasias que daí derivam, dificultam ainda mais o convívio com portadores de deficiência.

A lista que reproduzimos a seguir, sobre o título "Cuidados no relacionamento com pessoas cegas", é uma espécie de código de etiqueta no qual a relação com as pessoas portadoras de deficiência visual, recebe uma orientação básica, desenhada pelo negativo. Dizendo o que não se deve fazer no contato com o deficiente visual, define-se, em linhas gerais, um modo de tratamento adequado às interações das quais ele participa. As possibilidades de interação humana são muito amplas e as soluções encontradas pelos grupos para o convívio social harmônico sem dúvida ultrapassam em muito as situações contempladas na listagem de Robert Atkinson, diretor do Braille Institute of America - California. Esta porém, sem dúvida proporciona orientações essenciais para um primeiro e, eventualmente, duradouro contato, virtude suficiente para, após adaptá-la à realidade cultural brasileira, republicá-las neste espaço.

01 - Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque não podem ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você gosta de ver, de ler, de ouvir e falar.

02 - Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega que você conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça de que a natureza dotou a todos os seres de diferenças individuais mais ou menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generalização de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.

03 - Procure não limitar a pessoa cega mais do que a própria cegueira o faz, impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.

04 - Não se dirija a uma pessoa cega chamando-a de "cego" ou "ceguinho"; é falta elementar de educação, podendo mesmo constituir ofensa, chamar alguém pela palavra designativa de sua deficiência sensorial, física, moral ou intelectual.

05 - Não fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de não ver não significa que não ouça bem.

06 - Não se refira à cegueira como desgraça. Ela pode ser assim encarada logo após a perda da visão, mas, a orientação adequada consegue reduzi-la a deficiência superável, como acontece em muitos casos.

07 - Não diga que tem pena de pessoa cega, nem lhe mostre exagerada solidariedade. O que ela quer é ser tratada com igualdade.

08 - Não exclame "maravilhoso"... "extraordinário"... ao ver a pessoa cega consultar o relógio, discar o telefone ou assinar o nome.

09 - Não fale de "sexto sentido" nem de "compensação da natureza" - isso perpetua conceitos errôneo. O que há na pessoa cega é simples desenvolvimento de recursos mentais latentes em todas as criaturas.

10 - Não modifique a linguagem para evitar a palavra ver e substituí-la por ouvir. Conversando sobre a cegueira com quem não vê, use a palavra cego sem rodeios.

11 - Não deixe de oferecer auxílio à pessoa cega que esteja querendo atravessar a rua ou tomar condução. Ainda que seu oferecimento seja recusado ou mesmo mal recebido por algumas delas, esteja certo de que a maioria lhe agradecerá o gesto.

12 - Não suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja entrar ou o lugar aonde queira ir, contando os passos.

13 - Não tenha constrangimento em receber ajuda, admitir colaboração ou aceitar gentilezas por parte de alguma pessoa cega. Tenha sempre em mente que a solidariedade humana deve ser praticada por todos e que ninguém é tão incapaz que não tenha algo para dar.

14 - Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou companheiro, admitindo assim que ela não tenha condição de compreendê-lo e de expressar-se.

15 - Não guie a pessoa cega empurando-a ou puxando-a pelo braço. Basta deixá-la segurar seu braço, que o movimento de seu corpo lhe dará a orientação de que precisa. Nas passagens estreitas, tome a frente e deixe-a segui-lo, mesmo com a mão em seu ombro.

16 - Quando passear com a pessoa cega que já estiver acompanhada, não a pegue pelo outro braço, nem lhe fique dando avisos. Deixe-a ser orientada só por quem a estiver guiando.

17 - Não carregue a pessoa cega ao ajudá-la a atravessar a rua, tomar condução, subir ou descer escadas. Basta guiá-la, pôr-lhe a mão no corrimão.

18 - Não pegue a pessoa cega pelos braços rodando com ela para pô-la na posição de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira. Basta pôr-lhe a mão no espaldar ou no braço da cadeira, que isso lhe indicará sua posição.

19 - Não guie a pessoa cega em diagonal ao atravessar em cruzamento. Isso pode fazê-la perder a orientação.

20 - Não diga apenas "à direita", "à esquerda", ao procurar orientar uma pessoa cega à distância. Muitos se enganam ao tomarem como referência a própria posição e não a da pessoa cega que caminha em sentido contrário ao seu.

21 - Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede, quando abertas. A portas e janelas meio abertas costituem obstáculos muito perigosos para ela.

22 - Não deixe objetos no caminho por onde uma pessoa cega costuma passar.

23 - Não bata a porta do automóvel onde haja uma pessoa cega sem ter a certeza de que não lhe vai prender os dedos.

24 - Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas cegas, isso auxilia a sua identificação.

25 - Não saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa cega, principalmente se houver algo que a impeça de perceber seu afastamento. Ela pode dirigir-lhe a palavra e ver-se na situação desagradável de falar sozinha.

26 - Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontrá-la ou ao despedir-se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso amável.

27 - Não perca seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe: "Sabe quem sou eu?"... "Veja se adivinha quem sou?". Identifique-se ao chegar.

28 - Não deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas presentes, assim procedendo, você facilitará a integração dele ao grupo.

29 - Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe é desconhecido, oriente-a de modo que possa locomover-se sozinha.

30 - Não se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer incorreção no seu vestuário.

31 - Informe a pessoa cega com relação à posição dos alimentos colocados em seu prato.

32 - Não encha a xícara ou o copo da pessoa cega até a beirada. Neste caso ela terá dificuldades em mantê-los equilibrados.

33 - O pedestre cego é muito mais observador que os outros. Ele desenvolve meios e modos de saber onde está e para onde vai, sem precisar estar contando os passos. Antes de sair de casa, ele faz o que toda gente deveria fazer: procura informar-se bem sobre o caminho a seguir para chegar ao seu destino. Na primeira caminhada poderá errar um pouco, mas depois raramente se enganará. Saliências, depressões, ruídos e odores característicos, ele observa para sua maior orientação.



Robert Atkinson (Diretor do Braille Institute of America, California) - Adaptação feita pela equipe técnica da Divisão de Documentação e Informação do Departamento Técnico-Especializado e da Divisão de Reabilitação do Departamento de Atendimento Médico, Nutricional e de Reabilitação do Instituto Benjamin Constant, contanto com a participação da Associação Brasileira de Educadores de Deficientes Visuais
(Fonte: http://www.ibc.gov.br)